
I’m in such a good mood today…
A pequena tremia. Sorrindo, ele a aparou com cuidado e a deitou no chão do quarto. Não podia ver os olhinhos assustados por causa venda, mas não precisava. Os adivinhava, não por serem marcantes ou extraordinariamente belos, mas porquê os conhecia mesmo.Estava branca feito papel e suava frio. A boquinha vermelha e carnuda empalidecera, e ela estava molinha como um bebê. Ele saiu um instante e voltou com um pouco sal, que colocou sob a língua da menina. Trinta e dois anos de meninice manhosa, que falava sem parar e chorava gostoso.
Ela estava destreinada. A separação tinha sido longa demais e ela amolecera. Teria que começar tudo de novo, um sentido de cada vez. Um dia amarrá-la, no outro vendá-la, sufocá-la uma vez ou outra…Ele suspirou, pensando no trabalho que teria e se valeria a pena, depois de tudo o que passaram, adestrá-la novamente. Enquanto retirava-lhe a venda pensou na morena da noite anterior. Se tinha que recomeçar o treinamento do zero quem sabe não investir tempo e energia em uma nova cadela?
A morena tinha a alma, só lhe faltava a guia certa. E era gostosa, isso ela era. Um par de coxas enormes. Ela avisara que eram grossas mas ele não pensou que fossem tanto. A bunda era de se afogar.Tinha de abrí-la com as duas mãos para chegar ao botãozinho roxo, escondido naquele mundo de carne. E até que fora valente, suportara tudo sem reclamar. Usou a safe uma vez, é verdade, quando ele lhe deu palmadas na xana, mas mostrara potencial. Com o tempo e o adestramento ela ficaria mais resistente.
As cores voltavam ao rosto da menina, as bochechas redondas voltavam a ficar rosadas. Os olhinhos pidões, envergonhados e frágeis olhavam o teto para não encontrar os dele. Mesmo molinha como estava ela mantina as mãozinhas em posição; abaixo do umbigo, mão esquerda sobre a direita. Já não suava frio e ele sabia que ela queria falar sobre o que acontecera. Decidiu tirar a cabecinha do colo e pousá-la no chão. Sentou-se na cadeira e ficou ali olhando para ela. Mas ela resistiu à vontade em silêncio, que bonitinha. Os peitinhos bicudos apontando para o teto, subindo e descendo com a respiração. Ele pegou os prendedores, para brincar um pouco enquanto pensava.
A menina perdera o costume é verdade, mas permanecera fiel. Enviou as fotos todos os dias, o cuzinho voltara a ser apertado, parou de se depilar como ele mandara. Ele riu com este último pensamento, desejando ter estado lá, para vê-la tentar explicar porque, durante três meses, não depilara sequer as axilas.A melhor maneira de manter uma mulher quieta. Ele sabia que ela não teria coragem de tirar a roupa na frente de homem nenhum, peluda como estava.
Ver a carinha de vergonha na inspeção da volta havia sido um gozo particular. E melhor ainda foi fazê-la esperar até o dia seguinte para ser usada, depois que se livrasse dos pelos e se reapresentasse devidamente. Claro que a vontade dele foi de pular sobre ela e devorá-la até cair de exaustão.Mas não o fez.Teria todo o tempo do mundo para usá-la depois.
Ele ficou assim, puxando distraidamente a correntinha que unia os prendedores, ouvindo os gemidinhos agudos… É. Sentira falta dela. O celular vibrou sobre a mesa.Ele se levantou para verificar, não sem antes prender um pesinho pequeno na corrente e mandá-la ficar de quatro no chão.
Ele verificou o aparelho. Mensagem da morena, agradecendo a sessão e se colocando a seus pés. Ele deu outro suspiro, ainda mais profundo. Ambas ainda tinham um mundo a aprender. Decidiu que não pensaria mais nisso naquele dia, nem em uma nem na outra. Era sexta – feira, e ele já tinha algo planejado para hoje. Puxou os prendedores dos peitinhos de sua menina, fazendo-a gritar. Deu-lhe um tapa estalado na bunda, mandou-a guardar os brinquedos e preparar-lhe um banho. Mandou que ela o lavasse e aprontasse sua roupa. Já vestido, deu-lhe um beijo na testa e mandou que ela fosse se deitar. Quando chegasse queria encontrá-la dormindo.
Ele entrou no bar e ela já estava lá, esperando por ele. Ele encostou no balcão, pediu uma cerveja e acendeu um cigarro. Sorrindo por dentro, ele apostou consigo mesmo que hoje ela não levaria mais do que vinte minutos para agir, e ganhou a aposta. Em cinco minutos ela olhou em seus olhos, em sete estava quase ao seu lado, se mostrando para ele e soltando o seu cheiro. Ele esperou pacientemente que ela tomasse sua água. Quando a garrafinha estava na metade, ele, divertido, sentou-se em uma mesa, só para vê-la sair. Ele gostava do jeito dela andar.
Estou com fome, muita fome. Fome de algo novo, que eu não sei mais nomear. Eu me debato em minha jaula de ossos, carne e pele. Eu me debato, corto, arranho, grito de agonia e de prazer. Eu tenho fome. Olho o relógio. Hora de caçar. Eu sou uma presa, mas saio à caça. Sei muito bem quem é o meu alvo. Eu o observo com cuidado há meses, estudando-o. E como presa que sou sei que ele reconhece meu estudo. Ele é um predador experiente, requer cuidado. Ele me olha nos olhos. Demoro pouco mais de um segundo para baixar o olhar, isso deve irritá-lo.Ele passará a me ignorar, tenho certeza. Hora de lamber-lhe a mão. Hora de abanar o rabinho. E de levar alguns chutes.Eu me aproximo do balcão, tímida. Há uma mulher entre nós. Eu permaneço em silêncio. Ele não me olha, mas sei que me vê. Eu me mostro. Nada demais, apenas relaxo os ombros, alongando o pescoço. O queixo se levanta um pouco, é quase imperceptível. A coluna se alonga desde a base, o abdome se contrai. Meu joelho direito roça no esquerdo levemente. Eu ponho a mão direita sobre o blacão e mantenho os olhos baixos. Eu peço uma água mineral. Sem gás. Está calor. E eu estou caçando. Nos observamos sem nos olhar. Ele me ignora, sai do blacão e vai se sentar em uma das mesas. Primeiro chute. Pago a água e pego minha bolsa. Hora de ir embora, minha caçada está indo bem. Eu sei que ele viu os bicos dos meus seios se eriçarem. Eu sei que ele sentiu o meu cheiro. E ele sabe que eu vou voltar na semana seguinte.
Continua.

Eu queria muito entender porque eu te amo.
Por que tem dias que eu te odeio.
Dias que eu quero te refazer inteiro, do jeitinho que eu sempre imaginei.
Dias que eu quero que você me abrace e me diga só o que quero ouvir.
Dias que eu quero que você se perca e se abandone só para saber como eu me sinto.
Dias que eu quero que você tenha medo de me perder.
Mas você não me deixa.
Com toda a paciência do mundo você me lembra quem está no comando aqui.
Você me irrita e aí eu te amo mais, ah como te amo…
Eu te odeio.
E te quero.
Todas as vezes que eu te testo e que você não me castiga só por que sabe que é isso que eu quero, eu te amo.
E te odeio.
E te amo.
E te quero.
Fica comigo esta noite?
Ouvindo os gritos de gozo, eu me surpreendi quando senti as lágrimas rolando. Porquê apesar delas, eu não sentia o desespero que deveria acompanhar o meu choro. Eu estava entorpecida, em minha função de cabideiro. Não conseguia identificar qualquer sentimento, mas aquele choro me dizia, como se fosse um sinal de fora de mim que eu sofria. E se sofria, gostava.
O DONO continuou apertando-a contra seu peito, até que a respiração da cadela se normalizasse. Ela tentou se aninhar e beijá-lo mas ele a empurrou, sentando-se em sua poltrona.
_De quatro.
Trôpega e confusa ela obedeceu de olhos baixos.Ele passou a sola de um dos pés por seu rosto.
_ Lamba.
Estremeci com o som do tapa.
_Assim não. Lamba como a cadela que é.
Eu não conseguia ver o rosto dela, mas tinha a visão perfeita de sua xaninha careca e de suas nádegas, ligeiramente reparadas . Ela era toda rosada. Rosada e brilhante com os sucos do desejo que sentia por estar ali.
_Pare. Lábios no chão.
Ele não tinha pressa. Trouxe um consolo e enfiou-o na xaninha cor-de-rosa. Sentou-se novamente e a trouxe para mais perto de si, ainda de quatro.
_Continue.
Enfiou dois dedos em sua bunda. Ela suspirou. Tentava se conter, mas deixava escapar alguns movimentos quase involuntários. Ele enfiou outro dedo e mais outro. Agora já eram quatro.
_ Não sei quem iniciou você putinha, mas fez um belo trabalho.
Ela agora gemia, sem parar de lamber-lhe os pés.Quando enfiou o quinto dedo em seu cuzinho, ele lhe autorizou a rebolar. Ele socava sem parar na bunda dura e empinada, acariciando-lhe os cabelos e os seus seios, divertindo-se em fazê-la gozar. Quando sentiu o anel começando a latejar e apertar seus dedos retirou-os bruscamente, fazendo-a gritar surpresa, assustada e frustrada pela interrupção do gozo.
_ Mas que vagabundinha…Quem lhe disse que podia gozar de novo cadela? Não se pode mesmo elogiar vocês…Não passam de putas porcas e safadas…
E para mim:
_Abaixe os braços sarnenta, antes que deixe cair a bolsa e me dê ainda mais trabalho. Tsc, tsc…Meninas feias…Gostam de se comportar como crianças não é? Então serão castigadas como tal. Se abracem.
Olhamos para ele, sem acreditar no que ouvíamos. Ele sabia que aquele era um limite. Nos odiávamos desde o dia que nos conhecemos e ele sabia disso.
_ VOU TER QUE ESPANCÁ-LAS PARA QUE OBEDECEÇAM VAGABUNDAS?
Nos abraçamos a contragosto, mas ele nos empurrou uma de encontro à outra.
_ Beijo. Quero ver um beijo.
Obedecemos, mas aquele beijo tinha gosto de abuso. Não sentíamos prazer em nos tocar. O prazer que agradar ao DONO nos dava, nossos corpos repeliam.
_Quietas agora.
Ele nos manipulou como se fôssemos duas bonecas de pano. Esfregou nossos rostos na buceta uma da outra, fez com que eu lambesse o cuzinho dela e ela o meu. Uniu os bicos de nossos seios com clamps e brincou de nos fazer gritar ao retirá-los, apenas para prendê-los novamente e repetir a brincadeira. Nos colocou de quatro nos batendo com o chicote e com a régua, ordenando que não parássemos de nos beijar. Desenhou em nossos corpos com cera, fotografando cada uma de suas criações. Ele suava e ria como um menino que aprisiona insetos, apenas para poder torturá-los. Finalmente, entre gargalhadas quase loucas, ele me vendou e me guiou para outro cômodo. Mandou que eu me ajoelhasse e esperasse naquela posição até ele voltar.
Não sei o que fez com ela ou quanto tempo se passou, mas eu a ouvi gozar ainda várias vezes antes de ouvir os urros do gozo do DONO. Ouvi a geladeira se abrir e copos se encherem repetidamente. Ouvi sussurros e beijos, que me pareceram ternos e carinhosos.Ouvi passos se aproximando no corredor. E então senti o primeiro jato.
Para minha surpresa ouvi o riso dele na porta. Com nojo constatei que a chuva vinha dela, por isso o barulho dos copos.Ele a fizera beber vário copos de água, para que a bexiga se enchesse e ela mijasse em mim. Dolorida e enojada, percebi que ele a fazia marcar no meu corpo, o seu território.
Quando ela acabou ele mandou que lhe preparasse um banho. Disse que ela que se juntaria a ele na banheira, por ter ultrapassado um limite para serví-lo. Mandou que eu fosse à área de serviço e tomasse um banho de mangueira e sabão-de côco, que me secasse e o esperasse no quarto. Já limpa e seca fui colocada na jaula, para que o assistisse colocá-la na cama e embalá-la como a um bebê até que ela dormisse. Como se eu não estivesse ali ele se deitou ao lado dela a desde então o escuto ressonar.
Tenho medo. Tenho medo de perder a coleira, a identidade e alma. Tenho medo de ficar sozinha e perdida.
Eu pertenço a ele. Ele consegue enxergar o que nem eu consigo ver com clareza. Ele tem a chave de todos os meus quartos escuros, e de vez em quando os abre, para que eu contemple o que tento esconder com tanto custo. No entanto nunca antes ele me deixara ficar neles por tanto tempo.” O Retrato de Dorian Gray, pequena. Há algumas visões que podem nos matar.”
Eu tenho medo do escuro. Medo de olhar o retrato. Eu tenho medo da morte em vida.

Beberam a cerveja. Minha mãe me trouxe uma garrafa de cerveja de trigo da Bélgica no mês passado. O DONO disse só iríamos bebê-la na quarta. Quarta-feira é meu aniversário de encoleiramento. Dois anos. Mas agora… Agora não sei nem se ainda estarei encoleirada na hora do almoço…
Conforme me fora ordenado arrumei as tulipas novas, que ele havia comprado especialmente para o aniversário. Trouxe a bandeja, os servi e ia voltar à minha posição de cadela, mas ele mandou que eu esperasse de pé enquanto bebiam. Sempre acariciando a vadia e sorrindo disse a ela:
_ Me dê sua bolsa meu bem.
E para mim:
_ Estenda os braços sarnenta. Você dará um ótimo cabide para a bolsa de minha nova menina. Humm…Como não pensei nisso antes? Talvez você não seja tão inútil afinal…Posso fazer um cabideiro de você. Eu estava mesmo precisando de um… isso, fique quietinha. Assim. Sempre amordaçada é claro, afinal você fala demais.Sabe que estou começando até a gostar de você ter feito o que fez? Assim posso me livrar dessa sua vozinha irritante e inconsequente de uma vez por todas…
Depois de tapar minha boca com o silver tape novamente ele pendurou a bolsa dela em meu antebraço esquerdo. Não estava pesada, mas eu sabia que depois de algum tempo naquela posição iria estar. Continuaram bebendo e conversando. Ele se mostrou especialmente cortês e paciente com ela, ouvindo suas idiotices com atenção. Ella Fitzgerald cantando “At Last”. Era a deixa que ela precisava. Ela começou a dançar para ele. Uma dança suave e pouco afetada. Movimentos muito leves com os braços. Leves, mas graciosos e precisos. Lindos eu tenho que admitir. Mantinha os pés juntos e os joelhos dobravam e esticavam alternadamente enquanto ela movimentava os braços. Ondulava os quadris na medida exata, quase contida. Elegante e nada vulgar. De vez em quando ela movimentava a cabeça e uma cascata de ondas vermelhas cobria o seu rosto. Ela sorria e seus olhos felinos brilhavam. Ela não precisava seduzí-lo, já o fizera. Ela mostrava com seu corpo o desejo de que ele a vergasse. O desejo de que ele lhe roubasse o fôlego e a alma . Que a fizesse sorrir e agradecer quando ele machucasse seu corpo e seu ego. Ela sentia-se pronta e ansiosa. Pronta para pertencer a ele.
Ele continuou sentado. Fez sinal para que ela se aproximasse. Agarrou suas coxas por debaixo do vestido, e depois sua bunda. Apertou com força e ela suspirou. Mandou que ela se livrasse do vestido mas que não tirasse a calcinha.
_ Sempre é bom uma pecinha de roupa para temperar.
Ele a agarrou pela nuca e a imprensou contra a parede. Suas mãos percorreram aquele corpo branquinho e macio, ora apertando, ora arranhando. Como se fosse um violonista ele deixava uma das unhas compridas. Mas não para a música.
Segurando-a pelos cabelos ele vergou-a até que ela se ajoelhasse. A vadia fora bem adestrada, baixou imediatamente os olhos. Não foi preciso que ele mandasse, ela sabia o que tinha que fazer. Vi a linguinha rosada lamber o chão à frente dele, e depois suas botas. Ainda puxando seus cabelos ele a arrastou e fez com que apoiasse as mãos no sofá. Puxou sua calcinha até que ela entrasse pelos grandes lábios. Ele cochichou a autorização no ouvido dela entre mordidas e beijos. Ela começou a se mexer imediatamente, esfregando-se no único pedacinho de pano que ainda tinha sobre o corpo e gemendo alto. De repente ele rasgou a calcinha de uma vez. Ela estremeceu de susto e ele a passou o dedo médio em sua rachinha, bem devagar. Subiu até o grelinho e voltou em direção ao cú, repetidamente. Ela olhou para ele, aflita por liberar o gozo e recebeu um tapa.
_Shhh…ainda não neném.
Ele sempre me chamava de neném em casa, mas eu não me importei. Eu não chorava mais. Eu não sentia mais raiva, tesão ou tristeza. Eu era um cabideiro. Eu não sentia mais nada.
Ele continuou explorando a racha displicentemente, levando-a ao desespero. Quando viu que ela não conseguiria segurar ele parou. Sentou-se novamente e acenou com cabeça. Ainda arfando ela se ajoelhou e tirou-lhe as botas e as meias. Ele mandou que ela se deitasse e passou a esfregar a sola dos pés na cara dela. Pisou em seu rosto algumas vezes e deixou que ela lambesse seus pés. Puxou-a para cima e abriu ele mesmo a calça. Ela abocanhou seu pau com fome de quase-gozo, como se aquele fosse seu último ato nesse mundo. Ele segurava seus cabelos fazendo com que ela engolisse todo o cacete de uma vez. Quando ela engasgava ele ria e a parabenizava, olhando para mim e dizendo que gostava de meninas assim, dedicadas. Ela começou a punhetá-lo enquanto lambia seu saco e ele a chamava de sua puta gulosinha, bezerrinha, vadiazinha do DONO. Ele parecia se entregar ao prazer que ela lhe dava como ela se entregara a ele, até que entre gargalhadas a afastou de si e esbofeteou-a seguidamente. Enfiou o dedo de uma vez em sua bunda, e apertando-a de encontro ao peito, disse baixinho:
_ Goza minha menina. Goza gostoso para o DONO.
O meu pé direito está formigando. Sei que daqui a pouco o formigamento irá se transformar em cãimbra.Tento me mexer mas a cage é muito apertada. Lembro quando ele a trouxe. Entrei no quarto e ela estava lá, ao pé da cama com um laço de fita imenso. Ele havia me ordenado mandar-lhe todas as minhas medidas: peso, altura, pescoço, quadris, comprimento de pernas e braços, cintura, tudo. Ele mandou fazer a gaiola sob medida para torná-la o mais desconfortável possível para mim. Ele me conhece, sabe que a imobilidade é o maior dos meus pesadelos. Respiro fundo e tento não pensar em nada, mas será impossível dormir assim. Eu o escuto ressonar na cama. Tenho pelo menos mais umas três horas até que ele acorde, e ainda assim não tenho certeza de quando ele irá me soltar. Estou sem coleira. Ele a deixou no chão, bem à frente da jaula, ao lado de uma tesoura. Choro baixinho, tenho medo que ele corte a coleira ao acordar e aí sim viverei meu maior pesadelo…
Não quero perder o DONO, mas vi como a raiva crescia em seus olhos á medida em que eu contava o que havia feito. No chão e de cabeça baixa, eu lhe contei todos os detalhes entre soluços. Ele se manteve frio. Calmo. Impassível. A não ser pelos olhos. Os olhos de meu DONO são como os meus, podem virar brasas. Eu falava, me sentindo menos que uma vadia, uma vagabunda, menos que um animal lascivo e imundo. E ele, de pé, apenas escutava e me observava. Quando terminei o relato ele levantou minha cabeça pelos cabelos e sussurrou no meu ouvido: “sarnenta”. Deu-me três bofetadas, ainda leves,
e foi até a escrivaninha. Vi que ele pegou uma tesoura e instintivamente levei minhas mãos ao pescoço, como se pudessem proteger minha coleira.
_ Feche os olhos.
Eu o ouvi se aproximando e então senti (com alívio) o silver tape tapando minha boca.
_ Você é do tipo de vaca que não merece sequer uma gag.
Pelos cabelos fui arrastada até a cozinha. Meticulosamente ele esquentou a pontinha de um garfo no fogão e passou a marcar minha pele com ela em diferentes pontos. Ele sabe o quanto eu odeio queimaduras. Eu gemia baixinho cada vez que sentia o metal aquecido em minha carne. Ele apenas encostava, não queria marcas permanentes. Ainda não. De repente ele apertou meu pescoço até quase me sufocar, e logo em seguida enfiou dois dedos de uma vez em minha boceta. Rindo, ele cuspiu na minha cara:
_ Sua piranha imunda! Está gostando não é neném? RESPONDA COM A CABEÇA SUA VACA!
Fiz que sim e ele imediatamente me empurrou, me jogando no chão e passou a me dar chutes. Doloridos, mas nada perigosos. Ele sabe como fazer para que eles doam mas não machuquem. Enquanto me chutava ele me chamava de burra e dizia que eu não merecia o DONO, não sabia honrar a coleira que portava. De todas as dores da noite essa foi sem dúvida a pior.
Ele passou a sola do sapato em minha cara, sujando-a.
_ Assim fica melhor. Uma porca como você está sempre imunda.
Ele então me arrastou até o quarto.
_ Estava ansiosa para estrear o presente não é cachorrinha? _ Mais três bofetadas, desta vez bem fortes.
Ele me prendeu na jaula. È pequena demais para mim. A posição era incômoda, mal conseguia me mexer.
Sem dizer nada ele apanhou a carteira e as chaves e saiu.
Três horas depois ele voltou com ela. Podia trazer qualquer mulher, mas trouxe justamente a única vadia que sabe que eu não iria suportar. Eu soube que era ela no momento em que escutei sua primeira gargalhada na sala, histérica, vulgar…inconfundível.
Ele me tirou da jaula e massageou meus membros com carinho, até que a dor neles diminuísse. Quando viu que eu já me recuperara voltou à violência de antes, me arrastando pelos cabelos até ela.
_ Já se conhecem não é cadelinhas? Ora sarnenta, não seja mal-educada!Cumprimente sua amiga!
Ele arrancou a fita de vez, me fazendo soltar um grito de dor. Encarei a vaca com raiva, e recebi um tapa tão forte que me fez cair.
_ NO CHÃO SUA PORCA! E OLHOS BAIXOS! Quero ver você se comportar.
Permaneci de quatro no chão enquanto ele a beijou e acariciou, fazendo-a gemer gostoso. Depois me mandou levantar a cabeça. A desgraçada estava mais linda ainda. Os cabelos agora eram de um vermelho profundo, que deixava seus olhos mais verdes. Usava um vestido preto e larguinho, mas bem curto. E botas pretas de cano longo. As coxas expostas eram perfeitas, firmes e torneadas. Os braços longos e atléticos. Ela sorria para mim com escárnio. Ele acariciou seus cabelos.
_ Está com sede meu amor? Vá à cozinha sarnenta. Traga-nos algo gelado. E nem pense em fazer nenhuma gracinha cadela, eu vou saber se você cuspir no copo da minha gatinha. Ela é linda não é sarnenta? RESPONDE PUTA!
_ Sim SENHOR. Ela é linda. _ respondi baixando os olhos.
Júlia me beijou gostoso. Um beijo longo e lento. Senti sua respiração suave enquanto entregava minha boca à sua língua. Linguinha esperta e ferina, mas também quente e terna. Nos beijarmos era tudo o que podíamos fazer. As cordas que me amarravam eram vermelhas. As dela cor-de-rosa. Estávamos completamente imobilizadas, uma de frente para a outra. Um sistema intrincado de cordas e nós começava em nossos tornozelos, unindo-os, e subia até nossos ombros. Não pude deixar de rir quando ela disse que parecíamos duas lagartinhas, cada qual em seu casulo. Não podíamos nos arrastar para longe uma da outra. Estávamos unidas pelos cabelos. “Provavelmente teremos que cortá-los para sair daqui”, pensei, tal a confusão de fios negros e dourados que nos unia. Por baixo das cordas do casulo sentímos a pressão das cordas do Shibari, que nos torturavam e excitavam. Separando seus lábios dos meus ela me olhou nos olhos. Eu queria mergulhar em suas piscinas azuis, tão jovens, ao mesmo tempo inocentes e impetuosas. Eu sabia bem o que ela sentia. Um tipo de amor que só há uma idade para sentir. Um amor de quem ainda não viveu. Queria trazê-la para dentro dos meus olhos, de minhas águas escuras e turvas e mantê-la ali, sempre perto de mim.
Ela lambeu o meu rosto. Lambeu até que estivesse limpo. Ela lambia o leite quente e grosso que havia sido derramado em mim e ás vezes me oferecia sua língua para que eu pudesse sentir o gosto também. Sempre adorei o gosto, este mais do que nunca. O gosto do esperma é uma caixa preta. Ele nos conta o que foi feito, comido e bebido pelo homem que o ejacula. Ás vezes é amargo, ás vezes bem doce. Algumas vezes não tem muito gosto. Há dias em que está mais grosso, chega a estar granulado, outros é quase um suquinho. Sentir aquele gosto assim, misturado à saliva e ao cheiro dela me enlouquecia. Eu tentava movimentar meus quadris, mas o trabalho com as cordas estava realmente bem-feito. Júlia me beijou de novo e deixou escapar um gemido agudo e nervoso.
_ Também não consegue se mexer não é?
Ela fez que sim com a cabeça, com aquele jeito de menina boazinha que eu adoro.
_ Aperta lá dentro como se fosse fazer xixi então. Aperta e solta.
Os olhinhos azuis se abriram um pouco e ela sorriu.
_ Nossa… Gostoso…
_ Ele ainda não te ensinou?
_ Não…
_ Então acho que ele quer que eu ensine.
_ Será? Não acha melhor perguntar primeiro?
_ Como? Quem sabe a que horas ele vai voltar?
Júlia sorriu novamente.
_ Eu gostei de como ele fez hoje.
Eu sorri de volta.
_ É, eu também.Ela é bonita…
_ Do que gostou mais? Quer dizer, nela.
_ Gostei da bunda. E dos peitões.
_ Ah eu adorei a boca. Especialmente em volta do pau dele.
Rimos.
_ Vai me dizendo do que mais você gostou. E vai apertando e soltando.
_ Ah sei lá… Gostei de tudo…
_ Mas de que parte gostou mais?
Ela ficou vermelha e baixou os olhos.
_ Gostei de quando ele mijou nela. Quase gozei assistindo aquilo.
_ Que safadinha! Queria que ele fizesse isso com você também né sua putinha?
Ela assentiu sorrindo.
_ E o que mais queria?
_ Ah… Teve uma hora que eles ficaram bem perto de mim. Eu senti o cheiro dela, era forte. Tive muita vontade de chupá-la.
_ Ai eu também! Ela tem uma boceta enorme!
_ E o grelo você viu o tamanho?
_ Vi. Lindo né? Eu gosto assim bem vermelhinho. Queria que o meu fosse igual.
_ Ah que bobona o seu é todo lindinho, parece de menininha! Mas e quando ele comeu o cú dela? Achei que ela ia morrer!
_ Nossa foi mesmo. Ela gritou como uma louca. Fiquei babando nessa hora. Adoro quando ele me pega assim.
_ Hummm… puxando pelos cabelos…
_ Éééééééééééé! Nossa, e quando ele puxa pela guia ?!
_ Ai pára, minha boca encheu d’água aqui.
_ Hummm… Quando você fica com vontade sobe o cheirinho … O seu é forte também sabia?
_ Linda!
Eu ia beijá-la de novo quando ouvimos o clique na porta. Ficamos em suspenso, quase sem respirar. Não podíamos virar a cabeça para olhá-lo, só ouvir seus passos abafados pelo carpete. Ele parou atrás de Júlia e tirou algo do bolso. Se abaixou perto do rosto dela. Eu pude ver o que era e sorri um sorriso iluminado. Ele esvaziou a camisinha usada sobre o rosto de Júlia. O carinho em minha cabeça era o consentimento que eu esperava. Depois que ele se sentou na cama sorri para Júlia. E a beijei gostoso.