Dezembro, 28, 2008...1:53 am

Castigo – Parte I

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O meu pé direito está formigando. Sei que daqui a pouco o formigamento irá se transformar em cãimbra.Tento me mexer mas a cage é muito apertada. Lembro quando ele a trouxe. Entrei no quarto e ela estava lá, ao pé da cama com um laço de fita imenso. Ele havia me ordenado mandar-lhe todas as minhas medidas: peso, altura, pescoço, quadris, comprimento de pernas e braços, cintura, tudo. Ele mandou fazer a gaiola sob medida para torná-la o mais desconfortável possível para mim. Ele me conhece, sabe que a imobilidade é o maior dos meus pesadelos. Respiro fundo e tento não pensar em nada, mas será impossível dormir assim. Eu o escuto ressonar na cama. Tenho pelo menos mais umas três horas até que ele acorde, e ainda assim não tenho certeza de quando ele irá me soltar. Estou sem coleira. Ele a deixou no chão, bem à frente da jaula, ao lado de uma tesoura. Choro baixinho, tenho medo que ele corte a coleira ao acordar e aí sim viverei meu maior pesadelo…

Não quero perder o DONO, mas vi como a raiva crescia em seus olhos á medida em que eu contava o que havia feito. No chão e de cabeça baixa, eu lhe contei todos os detalhes entre soluços. Ele se manteve frio. Calmo. Impassível. A não ser pelos olhos.  Os olhos de meu DONO são como os meus, podem virar brasas. Eu falava, me sentindo menos que uma vadia, uma vagabunda, menos que um animal lascivo e imundo. E ele, de pé, apenas escutava e me observava. Quando terminei o relato ele levantou minha cabeça pelos cabelos e sussurrou no meu ouvido: “sarnenta”. Deu-me três bofetadas, ainda leves,
e foi até a escrivaninha. Vi que ele pegou uma tesoura e instintivamente levei minhas mãos ao pescoço, como se pudessem proteger minha coleira.

_ Feche os olhos.

Eu o ouvi se aproximando e então senti (com alívio) o silver tape tapando minha boca.

_ Você é do tipo de vaca que não merece sequer uma gag.

Pelos cabelos fui arrastada até a cozinha. Meticulosamente ele esquentou a pontinha de um garfo no fogão e passou a marcar minha pele com ela em diferentes pontos. Ele sabe o quanto eu odeio queimaduras. Eu gemia baixinho cada vez que sentia o metal aquecido em minha carne. Ele apenas encostava, não queria marcas permanentes. Ainda não. De repente ele apertou meu pescoço até quase me sufocar, e logo em seguida enfiou dois dedos de uma vez em minha boceta. Rindo, ele cuspiu na minha cara:

_ Sua piranha imunda! Está gostando não é neném? RESPONDA COM A CABEÇA SUA VACA!

Fiz que sim e ele imediatamente me empurrou, me jogando no chão e passou a me dar chutes. Doloridos, mas nada perigosos. Ele sabe como fazer para que eles doam mas não machuquem. Enquanto me chutava ele me chamava de burra e dizia que eu não merecia o DONO, não sabia honrar a coleira que portava. De todas as dores da noite essa foi sem dúvida a pior.

Ele passou a sola do sapato em minha cara, sujando-a.

_ Assim fica melhor. Uma porca como você está sempre imunda.

Ele então me arrastou até o quarto.

_ Estava ansiosa para estrear o presente não é cachorrinha?  _ Mais três bofetadas, desta vez bem fortes.

Ele me prendeu na jaula. È pequena demais para mim. A posição era incômoda, mal conseguia me mexer.

Sem dizer nada ele apanhou a carteira e as chaves e saiu.

Três horas depois ele voltou com ela. Podia trazer qualquer mulher, mas trouxe justamente a única vadia que sabe que eu não iria suportar. Eu soube que era ela no momento em que escutei sua primeira gargalhada na sala, histérica, vulgar…inconfundível.

Ele me tirou da jaula e massageou meus membros com carinho, até que a dor neles diminuísse. Quando viu que eu já me recuperara voltou à violência de antes, me arrastando pelos cabelos até ela.

_ Já se conhecem não é cadelinhas? Ora sarnenta, não seja mal-educada!Cumprimente sua amiga!

Ele arrancou a fita de vez, me fazendo soltar um grito de dor. Encarei a vaca com raiva, e recebi um tapa tão forte que me fez cair.

_ NO CHÃO SUA PORCA! E OLHOS BAIXOS! Quero ver você se comportar.

Permaneci de quatro no chão enquanto ele a beijou e acariciou, fazendo-a gemer gostoso. Depois me mandou levantar a cabeça. A desgraçada estava mais linda ainda. Os cabelos agora eram de um vermelho profundo, que deixava seus olhos mais verdes. Usava um vestido preto e larguinho, mas bem curto. E botas pretas de cano longo. As coxas expostas eram perfeitas, firmes e torneadas. Os braços longos e atléticos. Ela sorria para mim com escárnio. Ele acariciou seus cabelos.

_ Está com sede meu amor? Vá à cozinha sarnenta. Traga-nos algo gelado. E nem pense em fazer nenhuma gracinha cadela, eu vou saber se você cuspir no copo da minha gatinha. Ela é linda não é sarnenta? RESPONDE PUTA!

_ Sim SENHOR. Ela é linda. _ respondi baixando os olhos.

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