Ouvindo os gritos de gozo, eu me surpreendi quando senti as lágrimas rolando. Porquê apesar delas, eu não sentia o desespero que deveria acompanhar o meu choro. Eu estava entorpecida, em minha função de cabideiro. Não conseguia identificar qualquer sentimento, mas aquele choro me dizia, como se fosse um sinal de fora de mim que eu sofria. E se sofria, gostava.
O DONO continuou apertando-a contra seu peito, até que a respiração da cadela se normalizasse. Ela tentou se aninhar e beijá-lo mas ele a empurrou, sentando-se em sua poltrona.
_De quatro.
Trôpega e confusa ela obedeceu de olhos baixos.Ele passou a sola de um dos pés por seu rosto.
_ Lamba.
Estremeci com o som do tapa.
_Assim não. Lamba como a cadela que é.
Eu não conseguia ver o rosto dela, mas tinha a visão perfeita de sua xaninha careca e de suas nádegas, ligeiramente reparadas . Ela era toda rosada. Rosada e brilhante com os sucos do desejo que sentia por estar ali.
_Pare. Lábios no chão.
Ele não tinha pressa. Trouxe um consolo e enfiou-o na xaninha cor-de-rosa. Sentou-se novamente e a trouxe para mais perto de si, ainda de quatro.
_Continue.
Enfiou dois dedos em sua bunda. Ela suspirou. Tentava se conter, mas deixava escapar alguns movimentos quase involuntários. Ele enfiou outro dedo e mais outro. Agora já eram quatro.
_ Não sei quem iniciou você putinha, mas fez um belo trabalho.
Ela agora gemia, sem parar de lamber-lhe os pés.Quando enfiou o quinto dedo em seu cuzinho, ele lhe autorizou a rebolar. Ele socava sem parar na bunda dura e empinada, acariciando-lhe os cabelos e os seus seios, divertindo-se em fazê-la gozar. Quando sentiu o anel começando a latejar e apertar seus dedos retirou-os bruscamente, fazendo-a gritar surpresa, assustada e frustrada pela interrupção do gozo.
_ Mas que vagabundinha…Quem lhe disse que podia gozar de novo cadela? Não se pode mesmo elogiar vocês…Não passam de putas porcas e safadas…
E para mim:
_Abaixe os braços sarnenta, antes que deixe cair a bolsa e me dê ainda mais trabalho. Tsc, tsc…Meninas feias…Gostam de se comportar como crianças não é? Então serão castigadas como tal. Se abracem.
Olhamos para ele, sem acreditar no que ouvíamos. Ele sabia que aquele era um limite. Nos odiávamos desde o dia que nos conhecemos e ele sabia disso.
_ VOU TER QUE ESPANCÁ-LAS PARA QUE OBEDECEÇAM VAGABUNDAS?
Nos abraçamos a contragosto, mas ele nos empurrou uma de encontro à outra.
_ Beijo. Quero ver um beijo.
Obedecemos, mas aquele beijo tinha gosto de abuso. Não sentíamos prazer em nos tocar. O prazer que agradar ao DONO nos dava, nossos corpos repeliam.
_Quietas agora.
Ele nos manipulou como se fôssemos duas bonecas de pano. Esfregou nossos rostos na buceta uma da outra, fez com que eu lambesse o cuzinho dela e ela o meu. Uniu os bicos de nossos seios com clamps e brincou de nos fazer gritar ao retirá-los, apenas para prendê-los novamente e repetir a brincadeira. Nos colocou de quatro nos batendo com o chicote e com a régua, ordenando que não parássemos de nos beijar. Desenhou em nossos corpos com cera, fotografando cada uma de suas criações. Ele suava e ria como um menino que aprisiona insetos, apenas para poder torturá-los. Finalmente, entre gargalhadas quase loucas, ele me vendou e me guiou para outro cômodo. Mandou que eu me ajoelhasse e esperasse naquela posição até ele voltar.
Não sei o que fez com ela ou quanto tempo se passou, mas eu a ouvi gozar ainda várias vezes antes de ouvir os urros do gozo do DONO. Ouvi a geladeira se abrir e copos se encherem repetidamente. Ouvi sussurros e beijos, que me pareceram ternos e carinhosos.Ouvi passos se aproximando no corredor. E então senti o primeiro jato.
Para minha surpresa ouvi o riso dele na porta. Com nojo constatei que a chuva vinha dela, por isso o barulho dos copos.Ele a fizera beber vário copos de água, para que a bexiga se enchesse e ela mijasse em mim. Dolorida e enojada, percebi que ele a fazia marcar no meu corpo, o seu território.
Quando ela acabou ele mandou que lhe preparasse um banho. Disse que ela que se juntaria a ele na banheira, por ter ultrapassado um limite para serví-lo. Mandou que eu fosse à área de serviço e tomasse um banho de mangueira e sabão-de côco, que me secasse e o esperasse no quarto. Já limpa e seca fui colocada na jaula, para que o assistisse colocá-la na cama e embalá-la como a um bebê até que ela dormisse. Como se eu não estivesse ali ele se deitou ao lado dela a desde então o escuto ressonar.
Tenho medo. Tenho medo de perder a coleira, a identidade e alma. Tenho medo de ficar sozinha e perdida.
Eu pertenço a ele. Ele consegue enxergar o que nem eu consigo ver com clareza. Ele tem a chave de todos os meus quartos escuros, e de vez em quando os abre, para que eu contemple o que tento esconder com tanto custo. No entanto nunca antes ele me deixara ficar neles por tanto tempo.” O Retrato de Dorian Gray, pequena. Há algumas visões que podem nos matar.”
Eu tenho medo do escuro. Medo de olhar o retrato. Eu tenho medo da morte em vida.


1 Comentário
Março, 28, 2009 às 3:20 am
muito lindo…