Estou com fome, muita fome. Fome de algo novo, que eu não sei mais nomear. Eu me debato em minha jaula de ossos, carne e pele. Eu me debato, corto, arranho, grito de agonia e de prazer. Eu tenho fome. Olho o relógio. Hora de caçar. Eu sou uma presa, mas saio à caça. Sei muito bem quem é o meu alvo. Eu o observo com cuidado há meses, estudando-o. E como presa que sou sei que ele reconhece meu estudo. Ele é um predador experiente, requer cuidado. Ele me olha nos olhos. Demoro pouco mais de um segundo para baixar o olhar, isso deve irritá-lo.Ele passará a me ignorar, tenho certeza. Hora de lamber-lhe a mão. Hora de abanar o rabinho. E de levar alguns chutes.Eu me aproximo do balcão, tímida. Há uma mulher entre nós. Eu permaneço em silêncio. Ele não me olha, mas sei que me vê. Eu me mostro. Nada demais, apenas relaxo os ombros, alongando o pescoço. O queixo se levanta um pouco, é quase imperceptível. A coluna se alonga desde a base, o abdome se contrai. Meu joelho direito roça no esquerdo levemente. Eu ponho a mão direita sobre o blacão e mantenho os olhos baixos. Eu peço uma água mineral. Sem gás. Está calor. E eu estou caçando. Nos observamos sem nos olhar. Ele me ignora, sai do blacão e vai se sentar em uma das mesas. Primeiro chute. Pago a água e pego minha bolsa. Hora de ir embora, minha caçada está indo bem. Eu sei que ele viu os bicos dos meus seios se eriçarem. Eu sei que ele sentiu o meu cheiro. E ele sabe que eu vou voltar na semana seguinte.
Continua.


1 Comentário
Setembro, 23, 2009 às 1:04 am
Sustilmente.
Irritante a insistencia.
Os motivos dela, são um segredo à parte.
Já os dele, mais claros é impossivel.
E ela, ah….ela sabe.
O maldito novato.